Atrair profissionais é importante. Mantê-los é um dos maiores desafios das empresas de Bento Gonçalves.
Atrair profissionais é importante. Mantê-los é um dos maiores desafios das empresas de Bento Gonçalves.
17/08/2026
O diagnóstico da ADRH – Associação de Recursos Humanos de Bento Gonçalves, que reúne profissionais de RH e lideranças da região, ouviu empresas dos setores de indústria, serviços, comércio, turismo, saúde e cooperativismo de crédito e revela um cenário que merece atenção: 94% das empresas relatam dificuldade para preencher vagas. A retenção de talentos é apontada como a maior prioridade de gestão de pessoas para os próximos dois anos por 84% das empresas.
61% das empresas apontam a produção como o setor com maior rotatividade, e 13% registram turnover acima de 30% ao ano — bem acima da média do grupo. Ao mesmo tempo, 45% têm turnover de até 5% ao ano, mostrando que a realidade varia muito entre organizações. Mais do que custo de contratação, a saída frequente de colaboradores afeta produtividade, sobrecarrega equipes e compromete processos — por isso, olhar para o turnover é olhar para a experiência que a empresa oferece às pessoas.
Salário importa, mas não é tudo
35% das respostas apontam o salário como principal motivo de saída, à frente de liderança e clima organizacional. A remuneração segue determinante, mas o cenário atual envolve uma combinação cada vez maior de fatores: ambiente de trabalho, reconhecimento, desenvolvimento, liderança e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. As empresas precisam olhar para as pessoas não apenas como ocupantes de uma função, mas como indivíduos com necessidades e momentos de vida diferentes.
A flexibilização de turnos, quando possível, pode ampliar as possibilidades de contratação e tornar vagas mais compatíveis com diferentes perfis — seja para conciliar estudos, família ou deslocamento. Ainda assim, o modelo presencial predomina: 94% das empresas atuam presencialmente e 6% em modelo híbrido, sem nenhum registro de trabalho remoto integral. Em setores como indústria e produção, a flexibilidade precisa ser pensada dentro da realidade da operação — e os turnos podem ser um caminho.
Tecnologia já é realidade no RH
A inteligência artificial já não é tendência distante: 26% das empresas já usam IA em recrutamento, treinamento ou avaliação, e 72% já usam ou planejam adotar a tecnologia. Mesmo assim, 97% não tiveram desligamentos motivados por automação no último ano. A IA vem entrando como apoio à gestão, não como substituição de pessoas.
Pessoas como estratégia de negócio
Colocar as pessoas no centro significa entender que resultados sustentáveis dependem de equipes que conseguem se desenvolver, permanecer e encontrar sentido no trabalho. O diagnóstico mostra avanços nesse sentido: 65% das empresas investem regularmente em capacitação e 52% já têm programas para jovens talentos. É esse também o espírito do tema da ADRH para 2026 "O Humano no Centro das Organizações", com evento confirmado para 7 de outubro de 2026.
O tema também ganhou espaço na RBS TV
A presidente da associação ADRH e diretora da ASTERH, Lisiane Vanni de Miranda, participou de uma entrevista à RBS TV sobre a alta rotatividade no mercado de trabalho da região, reforçando os números do diagnóstico, a dificuldade das empresas para contratar e a necessidade de repensar como reter talentos.
O que vem pela frente?
Os dados da ADRH revelam um mercado aquecido e competitivo, que exige novas formas de pensar a gestão de pessoas. Se encontrar profissionais já está difícil, apenas abrir mais vagas pode não bastar. A pergunta que fica é: o que estamos oferecendo para que as pessoas escolham permanecer?
A resposta provavelmente está numa combinação de remuneração compatível, boas lideranças, ambientes saudáveis, oportunidades de desenvolvimento, reconhecimento e flexibilidade — quando a operação permitir. A alta rotatividade não é só um indicador de RH: é um sinal para que as empresas escutem mais e revejam práticas que já não respondem às necessidades do mercado atual. Em Bento Gonçalves, cuidar das pessoas deixou de ser apenas uma escolha humana, é também uma decisão estratégica para o futuro dos negócios.
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Diagnóstico realizado pela ADRH – Associação de Recursos Humanos de Bento Gonçalves, com empresas dos setores de indústria, serviços, comércio, turismo, saúde e cooperativismo de crédito.